Eu tinha 13 anos,
- Letícia Maia
- 26 de jan. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de nov. de 2025
Quando aprendi a costurar; lembro bem da blusa que acabava de fazer: Num Oxford marrom escuro tinha confeccionado uma camisa de patê trespassado em dois centímetros sem gola ou botões que eu nunca coloquei os punhos; o tecido era o mais simples possível e, naquela época, já se percebia que eu não gostava muito de mangas.
Ainda teriam dois longos anos de 'fuga' enquanto minha mãe me ensinava 'na marra' as peças básicas de um guarda-roupa feminino até a criação do meu ateliê.
Agradeço todos os dias por essa insistência: "roupa é caro", dizia ela. E era! E é.

Se você gosta de roupa boa (bonita e com acabamento impecável) é verdade que vai pagar um preço a mais para tê-la.
Por entender isso, desde essa época segui aperfeiçoando o ofício enquanto, em conjunto com minha mãe, descobríamos novas técnicas de modelagem e criávamos uma remodelagem do seu curso de costura que hoje é o Curso de Moda D'Castro.
Então, aos 17 anos eu me peguei gostando de costurar e aqui pretendo explicar o porquê, e, talvez você leitora se identifique comigo.
Eu fui aquela adolescente comum de poucos amigos - ou quase nenhum - também, com pouca admiração pela própria aparência, mas com muita vontade de mudar isso. Assim, por muitas vezes acabei me vestindo nessa intenção, mas o efeito era oposto, era confuso, sem personalidade, e muito por conta de me vestir aos moldes do "estar na moda", na maioria das vezes copiando um look que via na revista.
Apesar de todos esforços, essa baixa autoestima durou por um bom tempo sendo até escondida na sombra de outro argumento: O de 'não ter grana', e, por isso eu não conseguia me vestir bem. Nós sabemos que essa desculpa não cola mais, certo?
Não importava quantos metros de tecido que eu comprasse: Nenhuma roupa era boa o suficiente.
Nenhum look era bonito.
Nada se encaixava bem em mim.
Definitivamente eu não tinha estilo.
Mas, teimosa que sempre fui, busquei entender o que estava acontecendo e porque eu me achava tão sem sal ao me vestir, mesmo sabendo costurar absolutamente tudo que um closet feminino pedia.
Nessa época eu tive acesso à internet (jovens não saberão como é a sensação de ter tanto conhecimento junto e ao alcance porque já nasceram com essa facilidade na vida), lendo uma coisa aqui, outra ali, descobri que tinha uma imagem distorcida de mim e não sabia nada de imagem pessoal, teoria das cores, estilos universais... e por aí vai.
Eu entendi que eu vivia numa bolha onde minha referência era um padrão de beleza manipulado digitalmente, e eu não conseguia ver como eu era singular e que eu não deveria simplesmente tentar copiar a roupa da moda ou a da moça da capa da revista, porque cada uma de nós temos biótipos diferentes e atributos particulares que nos valorizam mais e uma roupa que cai bem aqui, as vezes não soa tão bem vestida por ali.
Eu não fazia idéia de que meu gosto pessoal influenciava no meu modo de vestir e que isso deveria ter intenção!
Ah, havia tanta coisa que eu não sabia, e conforme fui aprendendo e aplicando vi meu estilo pessoal nascer e aí sim eu pude aproveitar toda modelagem e costura que minha mãe tinha me ensinado!

Não reduzindo a aplicação disso apenas a mim, alcancei também minhas clientes e ensinei a todas o melhor conceito da moda: Dá pra se vestir bem, apenas tendo conhecimento!
Levando isso pra presença online, minha intenção é que toda mulher entenda que melhorar sua imagem pessoal nunca vai ser inútil e você pode começar hoje mesmo essa mudança.
Autoconhecimento transforma, e, aliado a boas técnicas de estilo e imagem, isso pode ser ainda mais brilhante.
Eu acredito piamente que todas nós somos botões de flor que ainda não floresceram, e espero, com todo meu trabalho fazer parte contribuindo com esse momento de transformação.

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